quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Eu sinto falta... eu juro que sinto.

Eu sinto falta... com todas as vértebras do meu ser. Eu sinto muita falta.

Eu sinto falta, daqueles dias, daquelas noites. Em que nunca me senti tão amada. Ainda que em uma terra estranha. Eu nunca me senti tão apreciada.

Eu me arrependo. Do que posso não ter feito. Posso não ter dito. Posso não ter atendido.

Mas o que posso fazer? Se aquilo, aquilo era tudo o que eu podia dar. E ainda assim queriam mais?

Eu me pergunto. Será que eu tomei a decisão certa?... se sim, porque meus sonhos todas as noites querem me pertubar? Fantasiando o que poderia ter sido? Me culpando pelo que não foi?

Eu sei o porquê. Sim. Porque tudo o que eu queria era poder estar de volta naqueles dias...

Eu sonho acordada. E sei que eu ainda amo, do fundo do meu ser. Cada sentimento e cada pessoa ali. 

Mas minha razão me dizia que eu precisava me afastar. Porque eu não era vista de verdade, nem sentida e nem compreendida, talvez nem amada.

Criaram um avatar. E eu não conseguia mais corresponder ao ser que nunca correspondi.
E lamentei, quando percebi, que um único segundo meu,  se transformou numa eternidade. 

Eu lamento, como tudo terminou. Eu realmente lamento. Mas... apenas quis me preservar. Não foi por mal. Apenas percebi que me entreguei demais, e não recebi de volta nem metade do que derramei.

Eu me deixei ali. Parte minha. Nunca vai voltar.

Mas mesmo assim... com tudo isso, me pediram mais. Como eu poderia entregar mais? Aquilo já era tudo. 

Eu me desbravei. Fui corajosa e quebrei orgulhos e barreiras que nunca achei capaz. Mas eu segui em frente. E ofereci o meu coração, por completo, joguei-o em meio ao desconhecido, a escuridão, ao deserto. 

Me entristece ver, que foi como jogar pérolas ao porcos. Agora eu vejo. A pobre inocência que tive, mais uma vez.

Mas tudo bem... eu aprendi agora, que temos que saber onde pertencemos. Uma pena que talvez, talvez foi um pouco tarde demais... se eu tivesse visto antes. Não teria me despedaçado, não teria sangrado, nem sentido falta da minha parte que se desmembrou de mim.

E agora eu sinto falta. Falta demais, daquilo que nunca mais vou viver, nem sentir, nem sorrir. 
Nem transbordar de felicidade ou de amor... do que uma vez foi meu. Uma vez, foi meu.

Me disseram que eu poderia continuar. Sem ter que me despedir. Mas como poderia? Minha intensidade não me permitiria. Se eu amo. Eu amo com tudo, tudo que tenho. Seja quem for. 

Não posso entregar metade do que tenho. Eu ofereço tudo o que posso. Mas se não é o suficiente... eu não consigo continuar, não posso seguir pela metade.

E se sou eu quem interpretou mal, então porque? Porque nunca vieram me buscar? Nunca quiseram saber de mim? Porque sou sempre eu indo atrás? Eu tentei. Juro que tentei. Mas não posso mais correr atrás de quem não me quer. Talvez nunca me quis de verdade.

E é por isso. A falta que sinto. 

Será um fardo que preciso carregar. Ainda que ame. Nada vale mais do que a essência que posso entregar.

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