sexta-feira, 1 de outubro de 2021

O paradoxo das visões divergentes e o stigma da plurisexualidade.

 Sabe do que eu tenho mais raiva? De ser tão, mas tão compreensiva que acabo sendo uma grande boba. Talvez até manipulável. Ninguém é compreensivo comigo, e eu acabo tendo que me render aos outros por não conseguir me posicionar até o final. Será porque sou boazinha demais? Ou porque não quero constranger o outro e a mim mesma?

Porque em todo debate, eu termino subjugando meus próprios valores? A troco de que? 

Minutos depois de um profundo debate intelectual, eu repenso o que disse e sinto vergonha da imagem de mim mesma que passei. Pois sei que no final, não acredito naquelas coisas. Será que eu só estou sendo adaptável? Ou isso é mentir para mim mesma em pró da boa vizinhança? Até que ponto vale essa boa vizinhança, ou essa politica de "anti-estresse"?

Cara... como alguém consegue me convencer de que o erro está em "não se aceitar", se na realidade a pessoa está sim se aceitando, mas de uma forma contrária ao padrão que impuseram a ela. Como eu não consegui dizer que o "normal" para ela, não é o mesmo para todo mundo? É tão simples!

Porque o problema está sempre, SEMPRE na geração mais nova? Caraca, será que dá para ouvir e tentar entender, ainda que o argumento venha de alguém mais novo que você?
Gerações mais novas, significam visões de mundos mais novas, ATUALIZADAS, evoluídas, modernizadas, aprimoradas; e isso é bom! É como o mundo trabalha para ser melhor do que era antes.

O fato de as pessoas hoje, passarem por um processo mais longo de auto conhecimento devido a nova pluralidade da sexualidade, não é necessariamente algo ruim, na verdade é ótimo. Somos sim pessoas que se transformam constantemente, o ser humano é uma metamorfoses ambulante!
Saia da sua bolha, as pessoas são diferentes do que eram ontem, e serão diferentes do que são hoje amanhã! Cada pessoa é um universo, e esse universo não é o mesmo que o seu!

O problema não está na falta de auto aceitação, mas sim no preconceito do outro ao que é diferente. Parece até utópico dizer que as nomenclaturas estão erradas e não fazem sentido em existir, porque a única solução seria "cada um fazer o que quiser da vida". Óbvio que sim! Entretanto não é assim que o mundo funciona, as pessoas sempre irão julgar e menosprezar o outro pelo o que ele faz. Portanto não vejo problema em alguém querer encontrar o seu nicho, tentar se organizar e encaixar em termos para ter algo em que se apoiar, quando alguém vier invalidar a sua escolha naquele momento. 

Rótulos não são algo efetivamente bons, mas se fazem necessários exatamente por culpa de pessoas como você, que não entendem, ou não aceitam quem se comporta de "tal ou tal maneira". Ainda que você diga que cada um deve fazer o que quiser da vida, isso não tem como acontecer de forma plena, se quem está ao seu redor não a aceita verdadeiramente como ela é. Nem todo mundo é prepotente como você. Vimemos em uma sociedade, e o que o outro enxerga, querendo ou não, importa, e muito!

E por esta razão os rótulos se fazem presentes e necessários, para servirem de proteção e local de pertencimento a quem é invalidado por qualquer motivo. Eles não são perfeitos, e por isso estão em constante mudança e aprimoramento. A ponto de incomodarem quem não se aprofunda devidamente sobre eles, e o enxergam como uma bagunça sem sentido. Roma não foi construída em dois dias, assim como conceitos e entendimentos que estão se estabelecendo agora.

Enfim, isso foi tudo o que eu realmente queria ter dito na discussão de hoje. Mas não consegui. Por que de alguma forma, ainda me deixo levar pela opinião alheia. Gostaria de poder pausar, reformular, e assim entregar minhas visões de mundo quando a oportunidade aparece. Mas infelizmente, a vida é assim: distópica, e não funciona como a gente quer. Mas sim, como ela é: diversa e inacabada, incompleta.