Diário
17/11/2018 - 00h00 / 00h39
Eu não sei. Às vezes acho que você tem que se perder pra se encontrar... eu sei que tenho andado muito estranha.. muito deprimida. E também me sentido diferente de uma forma que me fez sentir irreconhecível; ao mesmo tempo que eu sabia que era eu, mas parte de mim que eu não costumo usar com muita frequência, porque é um lado mais escuro.. e perigoso... Mas essa situação, e essa depressão... essa confusão, não é atoa! Eu sou muito sozinha, e só agora descobri O QUANTO sou sozinha. Tenho 20 anos nunca amei ninguém, ninguém nunca me amou, pelo menos não de forma romântica. Meus amigos se distanciaram, minha irmã casou, mal falo com a minha família, mal falo com o meu pai. E só tenho a minha mãe que também não é lá uma grande companhia, visto que ela tem tantas tendências depressivas quanto eu; puxei isso dela. Sem contar que ela age como mãe o tempo todo, ou seja, continuo sendo controlada mesmo que ela diga que não, continuo não tendo liberdade e sendo tratada como uma criança que precisa ser educada. Os momentos de amizade-mãe são pouquíssimos, visto que, ela gosta mais de reclamar sobre tudo e de falar pelos cotovelos do que qualquer outra coisa. Não é lá a convivência mais saudável ou nutritiva, eu amo minha mãe e entendo o jeito dela, mas ainda assim é difícil de lidar... e raramente eu recebo algum apoio ou incentivo. Além do fato de eu não trabalhar quando minha mãe precisa de dinheiro me faz me sentir uma inútil. E o pior é que eu odeio trabalhar, foi uma péssima experiência. Não é fácil pra alguém que passou 20 anos num universo de apenas estudos, sonhos e entretenimento; de repente ter que fazer algo que não gosta por horas e horas, debaixo de um ambiente opressivo e que te faz sentir mais incapaz do jamais imaginou ser. Sem contar o detalhe de eu não ter a mínima idéia de como será a minha vida, mesmo depois de uma faculdade de 3 anos, e inúmeros cursos, não faço idéia de onde me encaixo, de que carreira seguir, do que eu realmente gosto ou quero pra minha vida. Percebi que sou mediana, comum, indiferente; ao mesmo tempo que sei fazer várias coisas, não sou excelente em nenhuma delas, nem me destaco em nenhuma delas. E eu sei, eu tenho problemas com o fato de eu sempre fugir de responsabilidades, mas eu simplesmente não sei lidar com elas, não me sinto capaz, e sempre são experiências traumáticas. Sou extremamente insegura, minha mãe diz que eu não era assim, mas o mundo me fez assim. Uma menina que era extremamente alegre, confiante e radiante, simplesmente se tornou tímida, insegura, depressiva, com picos de ansiedade, e recentemente desenvolveu um início de gagueira quando se sente muito incapaz. Além de outros pontos sobre a passagem pra vida adulta e concretização de posicionamentos que não quero prolongar aqui. Mas enfim, o ponto em que eu quero chegar é que eu não tenho muitas pessoas pra me guiar ou me dar um conselho, eu tenho que sofrer sozinha, meio que sempre foi assim, agora só é pior. Então, emocionalmente, eu me senti quebrada; perdida; sem uma razão pra seguir em frente. E não me venha falar que eu preciso de Deus, eu sei que preciso, mas algo que eu acredito que eu preciso mais do que isso no momento... é de alguém, de pessoas. Eu descobri que sou uma pessoa muito carente, sempre gostei de estar entre as pessoas, mesmo sendo tímida sempre fui sociável. E de repente meio que ter tudo tirado de mim é... desanimador. Senti a real falta que as pessoas (CERTAS) fazem, hoje, quando fui na casa de minhas primas; mesmo que sejam difíceis.. as pessoas são carregadores, que enchem sua alma de vida quando você está com a bateria baixa. É como um mal necessário, ou uma faca de duas pontas. Ao mesmo tempo em que as pessoas são veneno, também são a cura. Às vezes a mesma pessoa é os dois, faz parte da embalagem. Então resumindo... não é minha culpa ter me sentido completamente infeliz e deprimida. É a consequência do meu momento de vida. Um momento em que grito por ajuda, mas é muito difícil alguém ouvir. Mas tudo bem, porque eu vou continuar tentando, até alguém ouvir, ou eu ter a força suficiente pra me levantar sozinha. Mas até lá... acho que vou ter que apenas continuar respirando, e fingindo saber viver. Buscando um equilíbrio que todos sabem que é impossível de se ter, por que a vida é como o oceano... as pessoas vem e vão, as vezes as ondas estão calmas, as vezes estão violetas, e você não sabe porque, e nem as vê chegando, mas do mesmo jeito imprevisível que chegam, elas se vão, e tudo volta a ser calmo de novo. E você nunca as entende, e você não vê um sentido nisso, mas tem que aprender a lidar com isso, mesmo que seja da pior forma possível, você tem que encontrar A SUA forma de lidar com isso, com as ondas, com o mar, com a vida