domingo, 16 de dezembro de 2018

Demian

Esse livro é fantástico!!
Tem pontos em que eu super concordo e outros em que discordo. Mas é un livro que vale a pena ser lido, realmente!!
Ele fala sobre o culto ao individualismo,
Sobre o conhecer a si mesmo, sobre entender o mundo para poder se entender.

Também fala sobre as vezes o bem precisar conviver com o mal. E eu até que concordo, numa visão humana, a gente só encontra o equilíbrio e a paz, quando entende e aprende a viver com os dois lados de si, quando aceita o fato de você viver com a versão boa ou má sua.

Além disso, realmente é essencial se conhecer, e é um processo que leva tempo, mas que compensa no final.
Para se conhecer é necessário sofrer, passar por todas as experiências boas e ruins, para enfim conseguir renascer.

Assim como "A águia que rompia a casca. A casca era o mundo, e o mundo havia de cair feito em pedaços."
Ou seja, é necessario romper com antigos costumes e idéias para renascer, para se libertar. Porém eu não acredito que essa mudança precise ser tão radical, a ponto de abandonar todos os seus valores que também muitas vezes também estão em seu âmago.

Talvez seja mesmo necessário ouvir mais a nossa voz interior, nosso destino está em nós mesmos, mas nós temos que encontra-los e lutar por eles.
Por isso é importante sermos intrépidos, destemidos e determinados. Estamos destinatos a sofrer, a fim de sermos renovados, e para evoluir tanto mentalmente, quanto espiritualmente e fisicamente.

Realmente, a entrega a comunidade pode ser um problema, podemos ser dirigidos a direções que originalmente não nos pertenciam. Podemos fazer coisas que nunca fizeram sentido ao nosso interior.
Mesmo assim, acredito que a comunidade é importante; é necessária. Porém, também é necessário conhecer a si mesmo de forma tão intensa, que possamos ser capazes de ouvir a nossa alma, acima de todas as outras, e no final, saber caminho certo a seguir; o SEU caminho. Entretanto, isso é algo MUITO difícil de ser realizado com exatidão, pois somos frágeis e falhos.

Ao mesmo tempo em que possuimos uma força indescritível e oculta, também temos constantes erros, que precisam ser atualizados e corrigidos.

Faz parte da beleza humana, de sua natureza caotica; a dualidade entre, o bom e o mal, o excelente e o falho, o eufórico e o depressivo, o estridente e o tímido. Todos provem das profundezas da alma humana, e todos são um só, a união de todos fazem o que  somos. Esse é o culto a individualidade que o livro fala.

"Começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura  em mim. Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mentir a si mesmos."

Isso me lembra muito do ditado "É preciso se perder primeiro para então se encontrar." E eu concordo!  Precisamos  nos desafiar, ir por caminhos diferentes ao habitual. Porém é um caminho perigoso, e precisamos estar atentos, pois também não acredito que o liberalismo sem controle seja a resposta. É preciso sair sim da zonade conforto e conhecida, porém não podemos nos entregar totalmente ao mundo obscuro e perder a razão.
O equilíbrio é a resposta de tudo!

Pois, perder-se na escuridão infinita de si próprio pode ser algo perigoso e inútil. Assim como envolver-se cegamente ao "mundo luminoso" pode ser uma completa burrice e estagnação interna.


O sinal... tá aí algo que acho que não acredito... pra mim, há sim pessoas tão semelhantes e destinas a te guiar e impactar a sua vida, que torna capaz a percepção de uma conexão. Porém não de uma forma separatista, somos todos iguais, não há uma seleção "dos corretos", todos são necessários à obra final. Porém muitas vezes podemos sentir aqueles que podem fazer parte do nosso destino, e que se conectam com a nossa alma. Auxiliam nossa historia. Mas nada além disso.

Também acredito na força interna e do seu poder desconhecido, a força e os pensamentos que provém da nossa alma, podem sim exercer um poder sobre as coisas e a vida. Podem conduzir o universo ao seu destino. 

Toda via, não de forma mística e ilusória como apresentada no livro. Mas simples, sutil e silenciosa, como acredito que seja.

16/12/2018 - 01:16

Revisão do livro Demian do prestigiado autor alemão "Hermann Hesse".

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